Mostrando postagens com marcador Trapista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trapista. Mostrar todas as postagens

La Trappe Quadrupel

A cervejaria holandesa De Koningshoeven tem uma história conturbada quando se trata do uso do selo de autencidade trapista. Em 1999 devido a um acordo com a cervejaria Bavaria os monges que regulam o uso do selo proibiram a De
Koningshoeven de usar o selo nos rótulos de suas cervejas pois consideraram que a produção não estava passando pelo crivo dos monges da abadia Onze Lieve Vrouw van Koningshoeven. O uso do selo só voltou a ser permitido em 2005 depois de uma grande revisão feita pelos seus pares. Ainda assim o acordo com a Bavaria continua e as cervejas com a marca La Trappe são as trapistas mais comercializadas.

Rótulo simples com a marca em estilo rebuscado


Quando você abre uma garrafa da La Trappe Quadrupel o aroma que sobe já mostra que você está diante de uma cerveja incrível. O cheiro de malte, álcool e frutas (senti bananda mas li por aí que tem gente que sente laranja) é delicioso. A cor âmbar escuro não chega a deixar o copo opaco e a cerveja é coberta por um lindo creme cor de mel que dura até o fim. O sabor tem o malte muito destacado e um amargor gostoso. O álcool não aparece no sabor. É uma cerveja encorpada, de sensação licorosa e bem carbonatada que faz você querer tomar o próximo gole imediatamente. Acho que eu já disse mas vou dizer novamente: experimente uma cerveja trapista e prove o que de melhor pode ser produzido em qualidade cervejeira, como esta La Trappe.



Ficha

País: Holanda
Tipo: Belgian Quadrupel
Graduação alcoólica: 10%
Cervejaria: De Koningshoeven


Retrospectiva 2013

E termina 2013 e apesar de não ter publicado nas últimas semanas considero o desempenho deste blog excelente! Comecei em julho e foram 23 posts de cervejas que eu bebi e mais um post convidado. No untappd eu registrei 41 cervejas diferentes.

Algumas tampinhas das cervejas que bebi em casa


O post que mais gostei de escrever foi sobre a Colorado Demoiselle. O post mais acessado foi sobre a primeira brassagem semi-aberta da Acerva Paraense, associação da qual me tornei membro. As cervejas da Bélgica foram as que mais apareceram no blog em 2013, com as cervejas Trapistas contribuindo com três posts. E é justamente uma trapista a cerveja que mais gostei este ano: a Chimay Bleue.

Que 2014 seja farto em boas cervejas para este blog e para todos que me acompanham e gostam de boas cervejas! Bebam menos mas bebam melhor em 2014!


Chimay Bleue

É da Abadia de Nossa Senhora de Scourmont, situada em Chimay, Bélgica, que sai algumas das melhores cervejas do mundo. Devemos agradecer à fé de Joseph de Riquet, príncipe de Chimay, que em 1850 doou terras e chamou alguns monges trapistas da Abadia de Westvleteren para construir ali uma comunidade trapista. Em 1852 a produção cervejeira começou, graças aos abençoados monges cervejeiros, que começaram produzindo a Chimay Rouge. As Chimays também foram as primeiras trapistas a estampar o losango com a inscrição "Authentic Trappist Product".

Em alto relevo na garrafa: "Abbaye de Scourmont"

Já a Chimay Bleue começou a ser produzida em 1954 como uma cerveja especial para o natal. O sucesso foi tão grande que ela passou a ter produção regular. Eu vou tentar aqui falar um pouco do que é beber uma cerveja deste nível mas tudo que eu escrever não servirá de nada pra você que está lendo. Sério, compre pelo menos uma e deleite-se. As Chimays não são filtradas, nem pasteurizadas e são refermentadas na garrafa por 21 dias em temperatura controlada. A Bleue tem um marrom camurça bem denso, seu creme é bege e persiste a vida toda. O aroma é complexo, lembra vinho, licor, senti ameixas e um pouco de floral (há quem note cheiro de rosas; não cheguei lá). O sabor segue o aroma, licoroso, sentimos muito o malte e quase nenhum amargor. O final é seco. A sensação é refrescante e te arranca um "putaquepariuquecervejadocaralho" a cada gole que você toma como um penitente que nunca irá se arrepender. E você nem percebe que a bendita cerveja tem 9% de teor alcoólico! Sério, faça de conta que é a última cerveja que você vai tomar na vida e tome uma.

Abaixo uma apresentação oficial da Cervejaria Chimay, em francês.



Para a versão narrada em inglês clique aqui.


Ficha

País: Bélgica
Tipo: Belgian Dark Strong Ale
Graduação alcoólica: 9%
Cervejaria: Chimay


Achel Brune

A cervejaria Achel foi construída pelos monges trapistas da Abadia de São Benedito na cidade de Achel, Bélgica. A cervejaria foi desmantelada durante a Primeira Guerra Mundial pelos alemães para que eles pudessem usar o cobre disponível. Foi quando a produção cervejeira, que havia começado em 1852, parou por quase um século. A cervejaria foi reconstruída na década de 1990 com a ajuda dos monges trapistas de Westmalle e de Rochefort e em 1998 a cerveja jorrou novamente de mais uma abençoada cervejaria trapista.

A Achel Trappiste Brune definitivamente é uma das melhores cervejas que já provei até hoje. É uma Belgian Dubbel refermentada na garrafa. Com cor de camurça, ela é semi-filtrada, o que se manifesta em sua turbidez. Apresenta uma espessa espuma bege que irá te acompanhar até o fim do copo, da garrafa, dos dias. O aroma é frutado, seu sabor tem um pouco de álcool no início, depois sentimos um pouco de dulçor, café e um leve amargor no fim, fim que é longo, que te faz ficar pensando que orar faz bem pra cerveja, pros monges e quase te leva à conversão. É uma cerveja licorosa, aveludada, que te convida para um novo gole. O equílibrio de sabores, álcool e amargor disfarça sua pecaminosa potência alcóolica de 8% e te fazem entender porque monges que passam a vida inteira no monastério fazem cervejas tão boas! Eu já disse que é uma das melhores cervejas que já provei?


Tampinha austera



Ficha

País: Bélgica
Tipo: Trapista/Belgian Dubbel
Graduação alcóolica: 8%
Cervejaria: Achel


Rochefort 8

As cervejas trapistas talvez sejam as cervejas mais cultuadas do universo cervejeiro. São seis cervejarias na Bélgica, uma na Holanda, uma na França e uma na Áustria, com receitas criadas há alguns séculos por monges da Ordem Trapista que vivem até o fim de suas vidas no mesmo monastério. O nome "Trapista" é uma denominação controlada pela Associação Trapista Internacional. Outras cervejarias que se inspiram na qualidade das trapistas geralmente usam a denominação "cerveja de Abadia".

São três os critérios para que uma cerveja possa ganhar o selo de autenticidade trapista:
  • Somente ganham o selo cervejas fabricadas dentro ou próximas a um monastério trapista.
  • A cerveja deve ser fabricada pelos próprios monges ou sob sua supervisão.
  • O lucro conseguido com a venda da cerveja deve ser aplicado em obras de cárater social ou não-lucrativas.

Portanto, uma cerveja trapista (como eu já cheguei a pensar) não é um estilo de cerveja e sim uma denominação controlada por monges da Ordem Trapista. É o controle monástico que garante a excelente qualidade das cervejas produzidas que são todas elas do estilo Ale, de alta fermentação, e refermentadas na garrafa.

A cervejaria Trappistes Rochefort produz três cervejas: a 6, a 8 ("Spéciale") e a 10 ("Merveille"). Estou me devendo a 6 e a 10 mas gostei muito das vezes que provei a 8, uma Dark Strong Ale. Tem coloração acobreada e uma espuma bege persistente que nunca abandona a cerveja. De aroma amadeirado, levemente amarga e doce. Encorpada e com alto teor alcóolico (9,2%) tem um conjunto sensacional e é uma das melhores cervejas que já bebi.



 













Aliás, as ales belgas tem um lugar garantido no topo das minhas favoritas.

Atualização: acabei de aprender porque a Rochefort 8 é chamada "Spéciale". Parece óbvio que ela seja especial mas o motivo do nome é outro. Ela começou a ser fabricada em 1955 como uma cerveja especial para as festas de fim de ano. A partir de 1960 passou a ter fabricação regular mas o título "Spéciale" se manterve.
 

Ficha

País: Bélgica
Tipo: Trapista/Dark Strong Ale
Graduação alcóolica: 9,2%
Cervejaria: Trappistes Rochefort